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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Eva Wilma vem a Santa Maria para espetáculo que comemora seus 60 anos de carreira

No palco, ela vive Blanca Estela Ramírez, uma atriz que há 30 anos está afastada da profissão. No enredo, faz um balanço de seu ofício e divide fatos e lembranças de sua profissão com colegas.
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Na vida real, ela bem poderia falar exatamente tudo o que seu personagem diz: ela é Eva Wilma. A única diferença da a atriz é que sua carreira está longe de parar. Aos 80 anos e comemorando 60 anos bem aproveitados nos palcos e nas telas, Eva Wilma apresenta em Santa Maria o espetáculo Azul Resplendor — em duas sessões, hoje e amanhã. Leia a entrevista completa.
Diário 2 — Você enxerga semelhanças entre sua personagem e a sua vida? Quais?
Eva Wilma — Na verdade, todos os seis personagem dizem falas que nós poderíamos dizer. O autor, Eduardo Adrianzén, faz um mergulho nas Artes Cênicas, e é um mergulho bonito. Temos a dupla de atores veteranos, o Genésio (de Barros) e eu, têm os do meio, o Guilherme Weber e a Luciana Borghi, que são um diretor estreônico e sua assistente, e têm os dois atores jovens, a Debora Veneziani e o Felipe Guerra. O ator mergulha com um humor crítico muito interessante nos bastidores das Artes Cênicas. O importante é que minha personagem está fazendo um balanço de vida. Neste ponto existe um paralelo, porque estou comemorando 60 anos de carreira. Têm falas que, na adaptação do texto, eu colaborei. Quando digo: "O tempo que nós fazíamos espetáculos de terças a domingos, com duas sessões no sábado, e duas no domingo", isso é pura verdade.
Diário — Como é poder comemorar seus 60 anos de carreira com apresentando o espetáculo?
Eva Wilma - Foi uma coincidência. Eu estava desenvolvendo outros projetos quando Renato Borghi me ligou. Ele fez uma viagem com Elcio Nogueira Seixas, chamada Embaixada do Teatro Brasileiro, levando textos para países de língua hispânica, e também trazendo outros de lá. Esse texto ele trouxe e disse que era para mim, que tinha de ser eu. Quando eu li, me apaixonei. E foi uma maneira de comemorar em grande estilo.
Diário — Você convive com atores mais novos na peça. Como você enxerga a diferença entre o teatro atual e o do início da sua carreira?
Eva Wilma - O teatro mudou muito a partir do mundo da informática. Porque é verdade o que eu digo na peça: nós fazíamos teatro de terças a domingos. E tinha público para isso. Agora, mudou, e esse aspecto mudou no mundo inteiro.
Diário — Você sempre esteve presente em todas as mídias: televisão, cinema e teatro. Qual é sua maior paixão?
Eva Wilma - Não tenho dificildade nenhuma em responder. É simples e muito claro: eu sou atriz. Como atriz, há 60 anos, exatamente em 1953, eu comecei tendo a chance de trabalhar nos três veículos: teatro, cinema e televisão. Se você me perguntar o que eu gosto, eu gosto de representar, trabalhar textos de bons autores, com personagens que eu me apaixono. Mas tem uma diferença: para mim o teatro é a escola do ator. Eu comecei no Teatro de Arena. Não foi nem palco, foi com público a toda volta. O teatro é o exercício do espaço cênico, do corpo, ao vivo. É a escola do ator. E eu tenho de voltar para escola esporadicamente (risos), para "fazer um intensivo" e continuar evoluindo.
Diário — Como está sendo a turnê pelo Brasil?
Eva Wilma - Estamos há um ano em turnê. Ficamos seis meses entre São Paulo e Rio e depois colocamos o pé na estrada. Passamos por 12 cidades do Nordeste, Centro-Oeste também e estamos chegando ao Sul. É muito interessante e prazerosa essa atitude de formação de plateia nos mais diferentes rincões: fizemos não só Capitais. Passamos por cidades como Juazeiro, na Bahia, e Moçoró, no Rio Grande do Norte, e o público fica extremamente gratificado, se manifesta com a maior felicidade. Para nós é muito prazeroso.

Azul Resplendor
Direção: Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas
Texto: Eduardo Adrianzen
Com: Eva Wilma, Genésio de Barros, Guilherme Weber, Luciana Borghi, Débora Veneziani e Felipe Guerra
Quando: hoje e amanhã, às 20h30min
Onde: Theatro Treze de Maio (Praça Saldanha Marinho, s/nº). Fone: (55) 3028-0909
Quanto: R$ 30 (estudantes e idosos), R$ 40 (sócios do Theatro, do Clube do Assinante do Diário e do Polvo Louco) e R$ 60 (público geral)

http://diariodesantamaria.clicrbs.com.br/rs/noticia/2014/11/eva-wilma-vem-a-santa-maria-para-espetaculo-que-comemora-seus-60-anos-de-carreira-4639787.html
DIÁRIO DE SANTA MARIA

    quinta-feira, 23 de outubro de 2014

    Peça com Eva Wilma discute bastidores do teatro


    ULTURA |

    AZUL RESPLENDOR

    Peça com Eva Wilma discute bastidores do teatro

    Com seis décadas de carreira, atriz volta a Londrina com direção de Renato Borghi

    • Fabio Luporini/JL
    • 22/10/2014 00:01


    Não é a primeira vez que Eva Wilma vem a Londrina. Muitas outras oportunidades teve a atriz de se apresentar nos palcos londrinenses. Na outra vez em que veio à cidade, ano passado, ela se impressionou com a arquitetura do Museu Histórico Padre Carlos Weiss, antiga estação ferroviária que abrigou uma exposição sobre a história das telenovelas. Também não foi a primeira vez que a entrevistei. Pela terceira vez Eva Wilma repetiu à reportagem a simpatia de quem ultrapassou os 60 anos de carreira com sabedoria e humildade.
    A atriz, que foi “roubada” do balé clássico em 1953 para os palcos do teatro e para a tela do cinema, está de volta à Londrina para apresentar a peça Azul Resplendor, na sexta-feira e no sábado, no Teatro Marista. “Foi uma coincidência, porque o [diretor e dramaturgo] Renato Borghi fez uma viagem com o projeto Embaixada do Teatro Brasileiro levando a alguns países de origem hispânica textos brasileiros considerados clássicos”, conta, por telefone. Ambos já conheciam o trabalho um do outro, mas nunca haviam estado juntos em cena.
    Até que Borghi procurou Eva Wilma. “Ele me telefonou, veio aqui em casa, tocou a campainha. Entregou em mãos e disse que queria montar o texto e tinha de ser eu.”
    Azul Resplendor é do dramaturgo peruano Eduardo Adrianzén, que havia conhecido Borghi na época dessas viagens. “Eu tinha muita coisa para ler, mas disse que leria. Li e me apaixonei, porque é um texto que mergulha nos bastidores das artes cênicas com um humor crítico, altamente reflexivo.”
    A reflexão, aliás, é propícia. Nessa metalinguagem teatral, Eva Wilma mergulha profundamente nos meandros da própria carreira, longa e sólida.
    “Penso nisso todo dia [na carreira]. Vivo cada dia, um dia de cada vez, intensamente.” Mais que a reflexão crítica, a atriz se debruça a uma temática extremamente complexa e delicada, de modo particular para alguém que nasceu em 1933 e em dezembro completará 81 anos.
    “O autor aborda com delicadeza a finitude da vida. Quem está na faixa etária como eu gosta de falar [da morte] com sabedoria sem se falar muito a sério, principalmente com delicadeza e amor.”
    Subir ao palco do teatro pode não rejuvenescer fisicamente, mas traz de volta à Eva Wilma o prazer de atuar. “É prazeroso e não deixa o meu trabalho cristalizar. Ele continua evoluindo. O teatro é uma escola de ator em formação e evolução.”
    Bailarina clássica dos 9 aos 19 anos, ela tornou-se atriz em 1953 na peça Uma mulher e três palhaços, do Teatro Arena, também atuando no filme Uma pulga na balança, do diretor italiano Luciano Salce.
    “Nós estreamos essa peça [Azul Resplendor] na data em quem comemorei os 60 anos de carreira. Num país carente de apoio cultural, estar ativo no teatro, no cinema e na TV é um privilégio.”
    Eva Wilma tem consciência de que já ultrapassou a marca dos 80 anos. “Enfrentei em fevereiro de 2013 a mesma cirurgia no quadril que o Pelé fez, inclusive com o mesmo médico. Então, quando comecei os ensaios, eu estava dependente da bengala. Agora, só uso a bengala em cena, como instrumento cenográfico, o que deixa minha personagem muito elegante. A essa altura da vida, vivo intensamente um dia de cada vez.”
    Serviço
    Azul Resplendor – Teatro. Dias 24 e 25, às 20h30, no Teatro Marista (R. Cristiano Machado, 240). Ingressos a R$ 65 (inteira) e R$ 35 (meia-entrada). Vendas: Chillie Beans (Royal Plaza e Boulevard Londrina Shopping) ou no café da Livrarias Curitiba (Catuaí).

    http://www.jornaldelondrina.com.br/cultura/conteudo.phtml?tl=1&id=1507891&tit=Peca-com-Eva-Wilma-discute-bastidores-do-teatro

    quarta-feira, 24 de setembro de 2014

    O resplendor de Eva Wilma

    O resplendor de Eva Wilma

    Em entrevista ao Essência, a grande dama da dramaturgia celebra seis décadas de uma carreira gloriosa no teatro e na televisão
    quarta-feira, 24 de setembro de 2014 | Por: Luiz Redação


    Júnior Bueno 
    Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra. Sem contestar a genialidade do dramaturgo, ele estava errado. Algumas poucas pessoas possuem uma trajetória de vida e trabalho tão irretocáveis que, ao mesmo tempo, possuem a admiração de seus pares, o respeito da crítica e o encantamento do público. Eva Wilma é uma dessas unanimidades. A atriz, que figura como uma grande dama das artes cênicas do País, num panteão que abriga Fernanda Montenegro, Nathália Timberg, Bibi Ferreira e alguns outros nomes, completou no ano passado 80 anos de vida e 60 de carreira, iniciada ao mesmo tempo no teatro, no cinema e na TV.
    Apesar de se destacar nas três vertentes, ela reconhece o teatro como o lugar onde o ator mais se realiza: “No momento em que a peça é encenada, o ator é soberano”, costuma dizer. Quem nunca teve a chance de ver a atriz em cena no teatro neste “momento soberano” pode conferir de amanhã a domingo, a performance de Eva como Blanca Estela, uma grande dama do teatro na metalinguagem da peça Azul Resplendor, em cartaz no Teatro Sesi. A peça é um marco comemorativo do aniversário e das seis décadas desde a estréia da atriz.
    A pequena bailarina Eva Wilma Riefle tinha nove anos quando tirou uma foto de tutu e sapatilhas. No retrato, escreveu uma nada modesta dedicatória: “Esperando ser brilhante minha carreira, deixo aqui uma recordação do início desta.” Não poderia estar mais certa a previsão. “Desde cedo, já estava convencida de que seguiria a carreira artística”, disse Eva, em entrevista ao Essência (leia abaixo). Ela ainda aprenderia a tocar piano e violão, tendo como professora ninguém menos que Inesita Bar­roso. Em 1953, a descendente de alemães, russos e judeus estrearia nos palcos com um espetáculo de duas peças, Demorado Adeus, de Tennessee Williams, e Judas em Sábado de Aleluia, de Martins Pena. “Uma era comédia e a outra, drama. Por isso consigo passear entre estes dois gêneros muito bem até hoje”, conta ela.
    No mesmo ano, Eva estreou na chanchada do estúdio Vera Cruz, Uma Pulga na Balança, e na TV, num projeto novo de Cassiano Gabus Mendes, Alô Doçura, ao lado daquele que viria a ser seu primeiro marido, John Herbert. Com o segundo, Carlos Zara, ela ficou casada até 2002, quando ficou viúva. A série ficou dez anos no ar e entrou para o Guiness Book como o mais longo do país. Sessenta anos depois, Eva habita o imaginário popular, como as gêmeas Ruth e Raquel, da primeira versão de Mulheres de Areia; a adorável vilã Maria Altiva, de A Indomada, e a médica Marta, do seriado Mulher, entre tantas outras personagens eternizadas pela memória do público.
    Além da carreira que contabiliza 20 filmes, mais de 70 participações em TV, entre novelas, minisséries e especiais e cerca de 40 peças de teatro, Eva Wilma ainda tem uma história muito forte de luta contra a censura na época da ditadura militar. É icônica a imagem da atriz de mãos dadas com Eva Todor, Tônia Carrero, Norma Bengell e Leila Diniz numa passeata pelas ruas de São Paulo em pleno regime militar. “Um ator tem que ter em mente que popularidade traz responsabilidade”, defende ela.
    É com essa consciência de cidadã e artista que Eva encara a vida, “vivendo cada dia de uma vez”, conforme contou, por telefone, ao Essência. Com uma fala pontuada por gargalhadas, a atriz ofegante – já tinha falado com um jornal de Brasília e uma rádio, antes – pediu, logo na primeira pergunta, para não ser chamada de senhora. Um pedido de Eva Wilma é sempre uma ordem.
    Entrevista – Eva Wilma
    O HOJE – A peça Azul Resplendor retrata os bastidores da dramaturgia e marca 60 anos desde que você pisou o palco pela primeira vez. O que a atraiu no texto do dramaturgo peruano Edu­ardo Adrianzén?
    O humor crítico. É um autor que mergulha fundo na dramaturgia, porque além de escrever peças, ele também é professor de dramaturgia. Na peça ele retrata vários tipos de atores. São um ator e uma atriz jovens lutando para fazer sucesso a qualquer custo, um diretor histriônico e sua assistente e dois atores da nossa faixa, setentões em fim de carreira.
    É verdade que o autor já conhecia sua carreira?
    Culpa dessa janelinha chamada TV, que leva a gente para todos os cantos do mundo. Ele já tinha me visto em novelas brasileiras que passaram no Peru e já tinha lido sobre mim em jornais.
    Ao fazer um retrospecto da carreira, você pode se considerar uma pessoa que foi predestinada a ser atriz? Poderia ter tido outra profissão?
    Dentro das artes eu poderia ter sido bailarina clássica, já que dos nove aos 19 anos eu dancei balé. Poderia também ser pianista ou mesmo violonista, eu estudei violão com a Inesita Barroso, veja você (risos). Acho que ficaria no campo das artes, mas aos 19 anos eu recebi convites que mudaram a minha vida. No mesmo ano estreei no teatro, no cinema e na televisão. E logo com trabalhos marcantes como o Alô Doçura, seriado que ficou dez anos no ar e duas peças com o Teatro de Arena. Não existia um teatro, só a companhia, a gente se apresentou em museus, fábricas, onde chamavam. O maior sucesso veio depois, uma peça em que eu fazia uma bailarina, foi o primeiro grande sucesso da companhia, que deu a eles condições de ter um teatro, que existe até hoje.
    Você disse certa vez que o cinema é a arte do diretor, a TV é a arte do patrocinador e o teatro é a arte do ator. A senhora sente mais prazer nos palcos?
    Mais ou menos sim. Embora o teatro dependa do autor e do diretor, no momento em que a peça é encenada, o ator é soberano. A TV aberta depende do ibope e há muitas interferências. No cinema, corre-se o risco de filmar no mesmo dia uma cena do meio do filme e em seguida uma do final para então filmarem o começo, para aproveitar um mesmo cenário. É uma realização de algo que só existe na cabeça do diretor. Então, o ator tem que confiar – não que não haja essa confiança no teatro ou na TV –, mas no teatro só existe aquele instante. Para quem vê, não importa o antes ou o depois, o ator é soberano.
    Aos 60 anos de carreira a senhora pôde experimentar todas as dramaturgias, fez drama e comédia, mocinhas e vilãs. Existe algo que ainda não tenha feito e gostaria de fazer?
    Olha, a essa altura eu quero fazer tudo de novo (risos). Estou brincando, mas com a idade se aprende a viver de forma mais intensa, cada dia de uma vez.
    Você tem uma carreira sólida e é uma atriz respeitada. Nos anos 60 a senhora chegou a participar de protestos contra a ditadura. Um ator, como figura pública, deve se posicionar publicamente, ir às ruas também?
    Em um regime de exceção, como o que nós vivemos, eu senti a necessidade de me manifestar. Hoje em dia, com a democracia, todo mundo é livre para escolher o que quer e se manifestar como quer, mas quem é ator deve saber sempre que a popularidade traz responsabilidade.
    Estamos em época de eleições. Como você vê a atual situação do país?
    Engraçado que hoje ainda me ligaram de uma rádio para perguntar o que eu esperava do próximo presidente. Eu tenho uma tese, quase uma utopia, de que um país como o nosso, do tamanho que, é deveria ter umas cinco confederações autônomas, com leis próprias para cada região, mais ou menos como é nos Estados Unidos. Lá em Brasília ficaria só uma meia dúzia de ilustres. Isso diminuiria a corrupção. É isso que eu espero do Brasil: que diminua a corrupção.
    Para encerrar, uma pergunta que a senhora deve ouvir sempre do público: quando voltará às novelas?
    Estou aqui prontinha para voltar. Estou há mais de um ano sem fazer uma novela inteira, só pequenas participações. Agora estou querendo voltar a fazer, desde que seja um bom convite, de um bom personagem. Pode ser novela, pode ser filme, pode ser teatro. Eu volto com muito prazer.
    A peça
    Azul Resplendor, escrita pelo peruano Eduardo Adrianzén em 2005, é um retrato sem retoques do ofício do ator. A comédia promove, através de uma combinação entre humor ácido e delicadeza, o encontro marcado que cada um tem consigo mesmo. Apesar de situada na atualidade, a peça revela os bastidores de todos os teatros em todos os tempos. O texto expõe com clareza e ironia os jogos de poder, os afetos, as ambições, as inspirações, as vaidades, as ilusões, as carências, as invenções, as manias e as frustrações dos atores quando se juntam para ensaiar uma peça.
    Para desvelar os bastidores dos palcos, a peça se vale de uma galeria de personagens bem conhecidos no mundo do teatro: a célebre atriz dramática, aposentada precocemente; o eterno coadjuvante recalcado; o diretor arrogante e pre­potente e sua assistente de direção sem identidade e os atores jovens em busca de fama e poder a qualquer preço.
    No elenco, além do resplendor de Eva Wilma, brilham Genésio de Barros, Guilherme Weber, Luciana Borghi, Débora Veneziani e Felipe Guerra. A direção é de Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas.
    Serviço
    Azul Resplendor
    Local: Teatro Sesi (Av. João Leite, 1013 – Santa Genoveva)
    Datas: Sexta, dia 26, às 21h / Sábado, dia 27, às 21h / Domingo, dia 28, às 20h
    Ingressos: R$ 60, a inteira, e R$ 30, a meia-entrada
    Classificação etária: recomendado para maiores de 14 anos

    Eva Wilma relembra momentos marcantes das seis décadas de carreira

    Eva Wilma relembra momentos marcantes das seis décadas de carreira

    Em entrevista, a atriz, uma das damas da dramaturgia nacional, celebra os 80 anos de vida

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    Diego Ponce de Leon - Correio BraziliensePublicação:22/09/2014 09:29
    Atriz contabiliza mais de 70 passagens pela tevê, cerca de 40 peças e 24 filmes  (João Caldas/Divulgação)
    Atriz contabiliza mais de 70 passagens pela tevê, cerca de 40 peças e 24 filmes
    “Eu não era só bonita não. Também era uma boa atriz.” A frase não foi dita por Eva Wilma, mas por sua personagem na peça 'Azul resplendor', que percorre o país desde o ano passado. Eva poderia, facilmente, tê-la dito. Um dos mais delicados rostos dos “anos dourados”, a atriz figura entre os grandes nomes da dramaturgia nacional, ao lado de Fernanda Montenegro, Bibi Ferreira e outros poucos artistas.

    O espetáculo marca os 80 anos de vida e 60 de carreira da atriz, que estreou na televisão em 1953 no programa 'Namorados de São Paulo', ainda na extinta Tupi. Lá pelo meio da peça, a personagem recorda, em tom melancólico: “Sou de uma época na qual fazíamos teatro de terça a domingo”. Assim como Eva.

    'Azul resplendor', no entanto, costuma ficar em cartaz somente de sexta a domingo. As coisas mudaram. O teatro não é mais o mesmo. Mas Eva Wilma insiste. “Não posso viver somente de televisão. Não compreendo quem se nega a passar pelo teatro, onde melhor evoluímos enquanto artista”, comenta, em entrevista.

    Sempre dedicada ao ofício, ela ainda espera novos papéis para incorporar. “Todos os meus personagens continuam comigo quando saio de cena.” A frase, também dita durante 'Azul resplendor', ressoa em Eva, que a ratifica. As gêmeas Ruth e Raquel, de 'Mulheres de areia', a Maria Altiva Pedreira de Mendonça e Albuquerque, de 'A indomada', a Hilda Pontes, de Pedra sobre pedra, que o digam. Entre tantos outros personagens, que continuam com Eva. E com o público.

    Eva Wilma em 'Pedra sobre pedra', de 1992  ((Arquivo/TV Globo)
    Eva Wilma em 'Pedra sobre pedra', de 1992
    Entrevista Eva Wilma


    O seu sonho, na verdade, era ser bailarina clássica?
    Dos 9 aos 19 anos, eu desenvolvi uma carreira no balé que me fez crer que seria essa minha grande paixão, a qual seguiria para o resto da vida. A música sempre se fez presente. Tive aulas com Inezita Barroso, imagina! Mas eram os “anos dourados”, a década de 1950. O José Renato apareceu com o Teatro de Arena, a Vera Cruz lançava filmes e, por fim, o Cassiano Gabus Mendes surgiu como primeiro diretor artístico da televisão. E eu participei disso tudo. Todos eles me convocaram para projetos. Foram escolhas difíceis, mas acho que deu certo, né?!

    Na infância e na juventude, a senhora passou por duas grandes dificuldades. A primeira delas por conta do seu pai, que era alemão…
    Meu pai faliu. Muitos não lembram o quão difícil foi, por exemplo, quando o Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial. Foi terrível. Os alemães que viviam no Brasil foram, quase todos, presos. Meu pai perdeu o emprego e nunca mais se recuperou. Ele escapou por pouco da prisão. Mas o que ele fez? Ensinou-me que era preciso trabalhar para vencer na vida.

    Alguns anos depois, já casada com o John Herbert e no início da carreira, a senhora mesmo chegou a falir…
    Por conta da ditadura. Eles proibiram a peça 'Os rapazes da banda'. Honramos os salários do elenco, da equipe, da produção, mas não subimos no palco. Aquilo nos arruinou. Passamos por momentos muito difíceis. Além do próprio período, que não foi fácil para ninguém. Mas foi ali que aprendemos a lutar pelos direitos humanos, pela liberdade. De alguma forma, deu-nos força. Mais uma vez, um período sofrido, mas de aprendizado.

    Brasília, inclusive, fez parte desse seu engajamento pela liberdade…
    Exato. Brasília me traz uma recordação muito importante. Eu e o Zara (Carlos Zara, ator e segundo marido da atriz, morto em 2002) lideramos um grupo de artistas que lutava em prol da anistia (promulgada em 1979). Produzimos um documento, com mais de 700 assinaturas, e levamos aos dirigentes do Arena (partido político da época). Em São Paulo, fazíamos visitas semanais aos presídios, para conversar com os colegas da cena encarcerados.

    Aquela realidade do teatro “de terça a domingo” parece cada vez mais distante, não?
    A bilheteria pagava as contas, veja você! Pode perguntar para Nicette Bruno, Nathalia Timberg, e elas te contam a mesma história: a gente levantava um dinheiro no banco, estreava o espetáculo, trabalhava quase todo dia da semana e, no fim da temporada, pagava o banco, saldava a dívida (risos). Era assim. Mas havia público! Era a principal diferença. Essa realidade tecnológica mudou muito o panorama.

    A senhora é sempre lembrada por tantos papéis na tevê, mas não abandona o teatro…

    O teatro é a escola do ator. Eu sempre volto para me reciclar, senão meu trabalho cristaliza. Se eu recorrer somente à televisão, eu deixo de evoluir enquanto atriz. O exercício de estar ao vivo de corpo inteiro, diante de uma plateia, é insubstituível.

    A senhora costuma dizer que os 80 anos trazem “perdas e limitações”…
    Recentemente, fiz uma cirurgia. Coisas da idade. Mas carrego as limitações com humor, vital para levar a vida. Principalmente, o humor crítico (risos). Outro dia, assisti a uma entrevista da (escritora) Nélida Piñon. Em certo momento, ela diz: “Eu trago meus mortos, todos eles”. Gostei disso. São perdas das quais fazemos ganhos. Aos 80 anos, precisamos aprender a lidar com isso.

    Este título de “dama do teatro” traz um pouco de fardo, além de alegria?
    Tudo junto! (risos). Estou brincando… Acima de tudo, traz consciência da minha responsabilidade.

    Principais trabalhos

    » Namorados de São Paulo (1953 - 1964)

    » Mulheres de areia (1973)

    » O direito de nascer (1978)

    » Guerra dos sexos (1983)

    » Roda de fogo (1986)

    » Sassaricando (1987)

    » Pedra sobre pedra (1992)

    » O rei do gado (1996)

    » A indomada (1997)

    » Mulher (1998-1999)

    » Os maias (2001)

    » Fina estampa (2011)

    *No teatro, a atriz recebeu os principais prêmios da área, a exemplo do Shell e do Molière

    http://divirta-se.uai.com.br/app/noticia/arte-e-livros/2014/09/22/noticia_arte_e_livros,159569/eva-wilma-relembra-momentos-marcantes-das-seis-decadas-de-carreira.shtml

    segunda-feira, 19 de maio de 2014

    Azul Resplendor




    Uma visita ao camrim dos deuses


    Eva Wilma comemora 60 anos de carreira e 80 de vida em Bauru com peça

    Cultura

    Eva Wilma comemora 60 anos de carreira e 80 de vida em Bauru com peça

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    Divulgação
    Peça trata de maneira bem humorada interesse que o público tem na vida de artistas
    Comemorar 60 anos de carreira como atriz atuando em uma peça que fala sobre o próprio teatro. É assim que Eva Wilma celebra seis décadas como atriz e 80 anos de vida e é o que o público bauruense poderá conferir nos dias 5 e 6 de abril com a peça “Azul Resplendor”, no Teatro Véritas, com sessões no sábado às 21h e no domingo às 19h. A montagem é idealizada por Renato Borghi, que também dirige ao lado de Elcio Nogueira Santos, e estreou em 18 de julho de 2013.
     
    Escrito pelo peruano Eduardo Adrianzén, o enredo propõe um retrato do ofício do ator, revelando os bastidores do teatro em todos os tempos. O texto expõe com clareza e ironia os jogos de poder, os afetos, as ambições, as inspirações, as vaidades, as ilusões, as carências, as invenções, as manias e as frustrações dos atores quando se juntam para ensaiar uma peça. Assim, a homenagem é perfeita para uma atriz do quilate de Eva Wilma, uma montagem de uma peça que celebra o próprio fazer teatral. 
     
    Os 80 anos de vida e 60 de carreira da atriz são comemorados no palco, ao lado dos atores Guilherme Weber, Luciana Borghi, Luciana Brites, Felipe Guerra e do próprio Renato Borghi. “Azul Resplendor” marca também a primeira vez que Borghi e Elcio Nogueira Santos dividem a direção nos mais de 20 anos de parceria no teatro. 
     
    A produtora Ferreira Eventos Culturais é responsável pela vinda de “Azul Resplendor” a Bauru e a peça tem apoio do Jornal da Cidade e 96 FM.
     
    O enredo
     
    Apesar de situada na atualidade, para desvelar os bastidores dos palcos, em “Azul Resplendor”, o dramaturgo se vale de uma galeria de personagens bem conhecidos no mundo do teatro: a célebre atriz aposentada precocemente, o eterno coadjuvante recalcado, o diretor arrogante e prepotente, a assistente de direção sem identidade e os atores jovens em busca de fama e poder a qualquer preço. “Adrianzén transmite com graça e agudeza os conflitos que se desenrolam no competitivo universo dos atores. Em uma época de culto às celebridades, “Azul Resplendor” trata de maneira crítica e bem humorada o ávido interesse que o público tem dedicado à vida privada dos artistas”, define Borghi.
     
    • Serviço
    Peça Azul Resplendor, no Teatro Veritas. Datas: 5 de abril, às 21h; 6 de abril, às 19h. Duração: 90 minutos. Classificação: 14 anos. Ingressos: meia : R$ 35,00 (estudantes, idosos e professores); Clientes Bradesco Seguros: R$ 35,00; Recorte Jornal da Cidade: R$ 50,00; Inteira: R$ 70,00. Pontos de Venda: Yazigi (rua Antonio Alves, 34-51); Roth Store (av. Getúlio Vargas, 5-9);  online: www.culturaeteatro.com