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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

"Não sei fazer vilã que não tem prazer na maldade", diz Eva Wilma

"Não sei fazer vilã que não tem prazer na maldade", diz Eva Wilma
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James Cimino
Do UOL, em São Paulo
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Famosos prestigiam premiação em São Paulo13 fotos

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18.mar.2014- Eva Wilma é a homenageada da 26ª edição de São Paulo do Prêmio Shell de Teatro Cláudio Augusto/Photo Rio News
Homenageada do 26ª edição do Prêmio Shell de Teatro por seus 60 anos de carreira, nesta quarta-feira (18), em São Paulo, a atriz Eva Wilma contou algumas histórias de sua vida profissional à reportagem do UOL, como por exemplo, da vez que fez um teste para um filme de Alfred Hitchcock e de seu papel como Ruth e Raquel na primeira versão de "Mulheres de Areia", em 1973, na TV Tupi.
Questionada sobre as diferenças entre sua interpretação e a de Glória Pires na versão da novela de Ivani Ribeiro, de 1993, Eva disse o seguinte: "A minha Raquel era mais engraçada porque eu não sei fazer vilã sem humor. Gosto de fazer aquela vilã que tem prazer na maldade porque embora isso possa parecer um clichê, nem todo mundo é só bom ou só mal. E a vilã sempre tem mais conflitos que o herói".
Ela conta ainda sobre o episódio em que a atriz Regina Duarte ofereceu o Troféu Imprensa de 1973 para ela. Em 1974, ao ser premiada com o Troféu Imprensa por seu trabalho em "Carinhoso", Regina surpreendeu a todos ao repassar o prêmio para Eva Wilma em reconhecimento pelo trabalho dela na novela "Mulheres de Areia".  "Eu peguei um avião, comprei um buquê de flores e fui entregar para Regina lá em Campinas (SP).
Hitchcock
Eva Wilma também contou sobre o teste que fez para o filme "Topázio" (1969), de Alfred Hitchcock, em Hollywood, e negou que o diretor inglês, famoso por ser um conquistador, tenha tentado seduzi-la.
"Ele era sim muito sedutor, mas não teve nada disso. A história que me lembro foi quando  fui ao cenário do filme fazer o teste e, ao entrar,  de repente todo mundo começou a aplaudir. Mas não era para mim, era para o Hitchcock entrando no estúdio", disse a atriz, aos risos. "Na época o diretor precisava de uma latina americana, só que acabaram escolhendo uma atriz alemã. Meu único consolo é que este não foi um dos melhores filmes dele, mas queria muito ter feito", admitiu. 
É por causa dessa droga de Facebook. De repente botar eu lá, íntima de todo mundo, não.Eva Wilma, explicando porque não gosta que fãs tirem fotos abraçados com ela.
Sobre o reconhecimento do público, Eva ressaltou que poucas pessoas a chamam pelo nome dos personagens que interpretou na TV: "Na época da Maria Altiva (de "A Indomada" – 1997) o povo repetia muito os bordões. Diziam: 'Oxente my God'". Assim como Beatriz Segal, Eva Wilma afirmou que não gosta que fãs tirem fotos abraçados com ela: "É por causa dessa droga de Facebook. De repente botar eu lá íntima de todo mundo, não".
Apesar da ironia com as redes sociais, a atriz afirmou que gosta muito de usar a internet para mandar e-mail e para ler as notícias. "Mas em geral, eu uso o computador como uma máquina de escrever. E para decorar texto eu preciso escrever a mão, com lápis e borracha", argumentou.
Sobre a homenagem pelos 60 anos de carreira, Eva Wilma disse que dedica a todos os autores, diretores, atores e técnicos das artes cênicas "a quem eu considero heróis". Ela estará de volta à TV em breve em uma participação na última temporada de "A Grande Família", que estreia em abril, na Globo.

Eva Wilma vem a Santa Maria para espetáculo que comemora seus 60 anos de carreira

Eva Wilma vem a Santa Maria para espetáculo que comemora seus 60 anos de carreira

Leia a entrevista completa com a atriz, que conversou com o Diário 2 por telefone

Eva Wilma vem a Santa Maria para espetáculo que comemora seus 60 anos de carreira JOÃO CALDAS/Divulgação
Foto: JOÃO CALDAS / Divulgação
No palco, ela vive Blanca Estela Ramírez, uma atriz que há 30 anos está afastada da profissão. No enredo, faz um balanço de seu ofício e divide fatos e lembranças de sua profissão com colegas.
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Na vida real, ela bem poderia falar exatamente tudo o que seu personagem diz: ela é Eva Wilma. A única diferença da a atriz é que sua carreira está longe de parar. Aos 80 anos e comemorando 60 anos bem aproveitados nos palcos e nas telas, Eva Wilma apresenta em Santa Maria o espetáculo Azul Resplendor — em duas sessões, hoje e amanhã. Leia a entrevista completa.
Diário 2 — Você enxerga semelhanças entre sua personagem e a sua vida? Quais?
Eva Wilma — Na verdade, todos os seis personagem dizem falas que nós poderíamos dizer. O autor, Eduardo Adrianzén, faz um mergulho nas Artes Cênicas, e é um mergulho bonito. Temos a dupla de atores veteranos, o Genésio (de Barros) e eu, têm os do meio, o Guilherme Weber e a Luciana Borghi, que são um diretor estreônico e sua assistente, e têm os dois atores jovens, a Debora Veneziani e o Felipe Guerra. O ator mergulha com um humor crítico muito interessante nos bastidores das Artes Cênicas. O importante é que minha personagem está fazendo um balanço de vida. Neste ponto existe um paralelo, porque estou comemorando 60 anos de carreira. Têm falas que, na adaptação do texto, eu colaborei. Quando digo: "O tempo que nós fazíamos espetáculos de terças a domingos, com duas sessões no sábado, e duas no domingo", isso é pura verdade.
Diário — Como é poder comemorar seus 60 anos de carreira com apresentando o espetáculo?
Eva Wilma - Foi uma coincidência. Eu estava desenvolvendo outros projetos quando Renato Borghi me ligou. Ele fez uma viagem com Elcio Nogueira Seixas, chamada Embaixada do Teatro Brasileiro, levando textos para países de língua hispânica, e também trazendo outros de lá. Esse texto ele trouxe e disse que era para mim, que tinha de ser eu. Quando eu li, me apaixonei. E foi uma maneira de comemorar em grande estilo.
Diário — Você convive com atores mais novos na peça. Como você enxerga a diferença entre o teatro atual e o do início da sua carreira?
Eva Wilma - O teatro mudou muito a partir do mundo da informática. Porque é verdade o que eu digo na peça: nós fazíamos teatro de terças a domingos. E tinha público para isso. Agora, mudou, e esse aspecto mudou no mundo inteiro.
Diário — Você sempre esteve presente em todas as mídias: televisão, cinema e teatro. Qual é sua maior paixão?
Eva Wilma - Não tenho dificildade nenhuma em responder. É simples e muito claro: eu sou atriz. Como atriz, há 60 anos, exatamente em 1953, eu comecei tendo a chance de trabalhar nos três veículos: teatro, cinema e televisão. Se você me perguntar o que eu gosto, eu gosto de representar, trabalhar textos de bons autores, com personagens que eu me apaixono. Mas tem uma diferença: para mim o teatro é a escola do ator. Eu comecei no Teatro de Arena. Não foi nem palco, foi com público a toda volta. O teatro é o exercício do espaço cênico, do corpo, ao vivo. É a escola do ator. E eu tenho de voltar para escola esporadicamente (risos), para "fazer um intensivo" e continuar evoluindo.
Diário — Como está sendo a turnê pelo Brasil?
Eva Wilma - Estamos há um ano em turnê. Ficamos seis meses entre São Paulo e Rio e depois colocamos o pé na estrada. Passamos por 12 cidades do Nordeste, Centro-Oeste também e estamos chegando ao Sul. É muito interessante e prazerosa essa atitude de formação de plateia nos mais diferentes rincões: fizemos não só Capitais. Passamos por cidades como Juazeiro, na Bahia, e Moçoró, no Rio Grande do Norte, e o público fica extremamente gratificado, se manifesta com a maior felicidade. Para nós é muito prazeroso.

Eva Wilma encena comédia sábado e domingo no UCS Teatro, em Caxias

Eva Wilma encena comédia sábado e domingo no UCS Teatro, em Caxias

Em turnê pelo Brasil há um ano e meio, atriz elogia o nível cultural da cidade

Eva Wilma encena comédia sábado e domingo no UCS Teatro, em Caxias João Caldas/Divulgação
Elenco une três gerações de atoresFoto: João Caldas / Divulgação
Uma veterana do teatro é convencida a voltar aos palcos. Uma veterana do teatro que nunca abandonou os palcos. Cruzando ficção com realidade, eis Azul Resplendor, peça que Eva Wilma traz a Caxias sábado e domingo, às 20h, no UCS Teatro.

Na peça escrita pelo peruano  Eduardo Adrianzén, Eva é esta personagem que centraliza as ações de uma comédia que mostra o mundo do teatro, seus tipos e suas idiossincrasias.

— É um humor crítico, como eu gosto — contou a atriz, por telefone, falando que, embora a montagem festeje seus 80 anos de vida e 60 de profissão, este não é um recurso oportunista:

— Essas datas foram coincidência, não foi ideia minha. Durante toda a minha carreira não escondi minha data de nascimento. Não ligo pra isso. Só que, às vezes, como o aniversário é perto do fim do ano, acabam aumentando um ano.

Com fôlego para perambular pelo Brasil com a montagem há um ano e meio, ela lidera um elenco formado por Genézio de Barros, Guilherme Weber, Luciana Borghi, Débora Veneziani e Felipe Guerra. A direção é de Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas.

— O Borghi e o Elcio estavam viajando no projeto Embaixada do Teatro Brasileiro por países hispânicos e trouxeram o texto. Foi eu acabar de ler e me apaixonar — conta.
Misturando os anseios de cada personagem que cruzam no palco, a trama evidencia a capacidade que o teatro tem de produzir emoções nas pessoas.

—  A peça abre com um pequeno monólogo sobre a finitude da vida e encerra com uma declaração de amor ao ator — antecipa Eva Vilma, que está animada para para reencontrar o público caxiense que conhece há tempos:

— Adoro Caxias, que é uma cidade de um nível cultural muito bom.

"Eu ralei muito e continuarei ralando", diz Eva Wilma sobre carreira de 60 anos

"Eu ralei muito e continuarei ralando", diz Eva Wilma sobre carreira de 60 anos

Publicado em 31/07/2014, às 12h11 | Atualizado em 31/07/2014, às 12h22
Isabelle FigueirôaDo NE10
Azul Esplendor chega ao Recife para duas apresentações neste sábado (2), às 21h, e domingo (3), às 20h, no Teatro RioMar / Foto: João Caldas/ divulgação
Azul Esplendor chega ao Recife para duas apresentações neste sábado (2), às 21h, e domingo (3), às 20h, no Teatro RioMarFoto: João Caldas/ divulgação
"Eu tinha 19 anos e fazia o papel da mocinha da peça. Não era um papel muito grande, mas era importante e a peça foi um sucesso. Eu era viçosa, alegre, ligeira como uma gazela e ... que corpinho! Como eu era elegante. Mas eu não era só bonita, era também uma boa atriz. Recebi muitos convites para trabalhar e acabei me transformando numa estrela. Logo vieram a televisão e também o cinema. Fiz alguns bons filmes, muita televisão e grandes peças de teatro". O depoimento é de Blanca Estela, mas poderia ser da atriz Eva Wilma, que interpreta essa grande dama do teatro no espetáculo Azul Resplendor. A peça chega ao Recife para duas apresentações neste sábado (2), às 21h, e domingo (3), às 20h, no Teatro RioMar.

Protagonista de grandes mulheres da televisão e dos palcos brasileiros, a atriz Eva Wilma celebra 60 anos de carreira e 80 de vida em 2014 com uma turnê nacional da peça, escrita pelo peruano Eduardo Adrianzén. Longe de incorporar a soberba que mancha algumas celebridades, Eva explicou sua relação com a personagem Blanca. "Somos bem diferentes na essência, mas há falas dela que poderiam muito bem ser minhas", disse. Por telefone, pedi para Eva exemplificar essa semelhança, foi quando ela narrou o trecho que abre a matéria. "É quase real, é a pura verdade. Em 60 anos de carreira, ralei bastante e continuarei ralando, para falar numa linguagem jovem" completou.


Eva Wilma esteve no Recife há cerca de dois anos com a exposição História dos 70 anos da TV Brasileira. Antes disso, porém, ela veio para apresentar a peça O manifesto, com o ator Othon Bastos. Mais do que uma relação profissional, ela tem com o Recife laços afetivos. "Meu marido Carlos Zara [falecido em 2002] falava muito de Hermilo Borba Filho. Foi responsável pela formação dele como ator, diretor e produtor. Hermilo foi grande referência para nós", declarou a atriz.

Eva Wilma divide o palco com os atores Genézio de Barros, Guilherme Weber, Luciana Borghi, Débora Veneziani e Felipe Guerra. A direção é de Renato Borghi e Elcio Nogueira Seixas. A comédia possui uma rara combinação entre humor ácido e delicadeza.

AZUL RESPLENDOR - Blanca Estela Ramírez é uma grande dama do teatro, entre 70 e 80 anos, afastada de seu ofício há mais de 30 anos. Inesperadamente, ela recebe a visita de um fã-ator que escreveu uma peça em memória da mãe falecida. Ele decide procurar Blanca para convidá-la a retornar aos palcos como protagonista de sua obra. "A peça é um retrato das artes cênicas, do fazer teatral", contou Eva.

Por razões que só ficarão claras no final da peça, Blanca decide aceitar a proposta, desde que a peça seja dirigida por um nome de peso. É convidado, então, o maior diretor teatral da atualidade, que promete surpreender o público montando "o espetáculo da década".

Crítica: Azul Resplendor, com Eva Wilma e grande elenco

7 de agosto de 2014

Crítica: Azul Resplendor, com Eva Wilma e grande elenco


A presença de uma das grandes damas do teatro brasileiro, Eva Wilma, numa peça, já é chamariz suficiente para atrair grande público. Uma exposição no hall do Teatro Riomar pincelava a dimensão da carreira da atriz, que já fez as peças Um Bonde Chamado Desejo eEsperando Godot, além de ter protagonizado novelas icônicas da Tv Globo. Por todo esse trabalho teve o massivo reconhecimento da crítica especializada. Comemorando 60 anos de carreira, Wilma protagoniza a magnífica peça Azul Resplendor – A Comédia do Teatro, com grande elenco para acompanhá-la em cena.

Com Genézio de Barros, Eva Wilma compõe o coração do espetáculo. As cenas entre os dois estão entre as mais ternas e também ácidas. Ele interpreta um ator fracassado que é fã de uma grande atriz, que está aposentada e solitária. Após a morte de sua mãe, e com a herança de 1 milhão de dólares, ele, Tito Tápia, escreve uma peça desejando o grande retorno de sua musa e paixão platônica Blanca Estela Ramirez. Não estranhe os nomes latinos, afinal o texto é de um dramaturgo teatral e autor de televisão peruano bastante premiado e prolífico, chamado Eduardo Adrianzén. Guilherme Weber interpreta brilhantemente Antônio Balaguer, ‘o diretor de teatro mais respeitado e badalado do país’. Parece um papel sob medida feito para o ator, que já tem um aspecto antipático, talvez marcado por determinados papéis em novelas globais. O personagem fica com a segunda melhor porção do texto, quando por exemplo divaga sobre o atual estado do teatro no Brasil e porque ele é incrível. É um quase megalomaníaco bastante magnético. 


Luciana Borgui faz Glória, assistente de Balaguer, responsável por organizar as produções do ‘gênio’. Debora Venezeani interpreta Luciana Castro, a ‘melhor atriz de sua geração, protagonista absoluta em teatro, cinema e televisão’. Felipe Guerra faz Giancarlo Varoni, o ‘galã mais desejado da televisão’, que utiliza sua beleza a seu favor com proeza. Seu personagem tem uma ironia tênue, que poderia cair no caricato, mas felizmente não é o acontece. Parecem estereótipos, não é? Não apenas. Esses personagens são muito bem trabalhados para fazer uma refinada crítica a como o ‘sistema’ de dramaturgia num país latino-americano funciona.

É patente a cena onde, numa coletiva de imprensa para divulgação da peça, os jornalistas, em gravação em off, fazem perguntas sempre direcionadas a televisão e ao cinema, os meios mais midiáticos, deixando o teatro absurdamente escanteado, apesar desse ser o foco pretendido da coletiva. Merecem nota também a referência às redes sociais. Balaguer adora tirar fotos com famosos para o Instagram. A Tito é recomendado que ele faça um perfil no Facebook, para ele ter oportunidade de ‘falar o que quiser’, uma crítica fina em tempos de oversharing e egocentrismo na rede social. Além dos monólogos poéticos que abrem e fecham Azul Resplendor, o texto tem vários momentos de brilho. Por exemplo, quando uma personagem reclama que um celular está tocando na plateia, e que vai esperar a pessoa atender; o que era tudo uma pegadinha genial, que provavelmente a maioria do público caiu, pela que frequência que essa situação constrangedora ainda acontece em eventos de todo o tipo. 

As citações merecem um parágrafo só para si. ‘Ninguém fica em paz, todo mundo quer uma recompensa ao fechar o livro’. ‘Quando a gente consegue vencer a timidez quando jovem, a gente se livra de tanta coisa difícil!’. ‘Um cabide representava melhor que você!’. ‘Nós vivemos a mentira, nós nos alimentamos disso’. Se tivesse dado tempo de anotar, reproduziria uma porção do texto de uma cena em que Blanca aponta sem piedade todos os erros de Tito como ator, dando uma verdadeira aula de teatro, e evidenciando as camadas complexas do ofício.


O público pareceu gostar muito do espetáculo. As risadas frequentes reverberavam pelo teatro, num efeito interessantíssimo. Se estivesse em longa temporada, tenho certeza que muitas pessoas voltariam, afinal é um texto tão denso que se você não estiver extremamente focado, perde parte do humor. Quanto à encenação, algumas pontuações. É inventiva a parte onde uma câmera de vídeo, cujas imagens são reproduzidas em três TV’S na vertical, é utilizada para filmar Balaguer numa egotrip fantástica; um dos recursos cênicos que as novas tecnologias disponibilizam. A quarta parede já havia sido quebra desde o início do espetáculo. A iluminação adiciona ao drama, com muitas variações criativas, que põem em evidência elegante os momentos gloriosos da peça. Quanto à direção de atores, não tenho como ter certeza se a orientação do diretor Renato Borghi, também um ator premiadíssimo, tenha adicionado uma camada extra de brilho ao trabalho super competente do elenco, talentosíssimo. Como terá sido dirigir Eva Wilma, que se apresenta num patamar superior com sua Blanca, habitando a personagem com uma maestria invejável, que só as atrizes de décadas de experiência conseguem atingir?

Por fim, há uma discussão tímida no texto se o ‘a peça é a direção’ ou se ‘a peça é o texto.’ Em Azul Resplendor, o que se destacou mesmo foi o texto de Adrianzén, interpretado por um elenco irretocável. Que venham mais espetáculos dessa qualidade para Recife!


“Enxerguei aqui os meus ideais”, diz Eva Wilma sobre a Cidade do Saber

  
Se a atriz Eva Wilma, com seus 80 anos de idade e mais de 60 de carreira, deixou escapar algum traço de fragilidade durante o espetáculo Azul Resplendor, apresentado no Teatro Cidade do Saber na noite desta quinta-feira (28/08), provavelmente foi pura encenação. O vigor evidente no olhar firme e nos gestos seguros, por sua vez, faz parte do seu estado natural e não a abandona após do som da claquete. Despida de qualquer personagem, ela declarou seu amor pela arte, agradeceu o carinho do público e elogiou o trabalho de inclusão social realizado pela Cidade do Saber.

Embora a essência da montagem teatral esteja impregnada com a intenção de homenagear sua protagonista, a personagem interpretada por Eva Wilma (Blanca Estela Ramírez, uma dama do teatro afastada de seu ofício) passeia entre características que representam tanto a realidade da atriz – quando evidencia um talento altamente reconhecido – quanto o extremo oposto – ao restringir seu sucesso a um período quase esquecido. Eva admite que se diverte nesta peça que brinca com o universo do teatro.


Sensível e atenciosa, Eva Wilma  revelou que conhecer o trabalho de valorização da arte e cultura realizado em Camaçari, através da Cidade do Saber, lhe deixou muito feliz e motivou a decisão de realizar a apresentação gratuita no município. “Estou simplesmente maravilhada com a Cidade do Saber. Tive a oportunidade de conhecer a Instituição e enxerguei aqui os meus ideais. Nem imaginava que pudesse existir isso, e aqui existe, no nosso país. Parabéns!”, declarou.

O calor e a energia da plateia contribuíram para que o sentimento de satisfação da atriz fosse completo. Na manhã desta sexta-feira (29/08), a prova de que o encantamento não foi momentâneo viria em um gesto gentil. Eva fez questão de entrar em contato com a diretora geral da Cidade do Saber, Ana Lúcia Silveira, e reforçar a impressão positiva que a Instituição lhe causou, agradecendo a boa receptividade e incentivando a continuidade do trabalho de transformação social através da arte, esporte e cultura.   

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Eva Wilma em 7 cenas

Eva Wilma em 7 cenas

Publicado na Revista Tutti Condomínios | 11ª Edição | Janeiro | 2014
Foto: Antonio Trivelin/Gazeta de Piracicaba
Uma dama do teatro como Eva Wilma marca presença logo ao chegar, como aconteceu assim que entrou no estande de vendas do Trio By Lindenberg, em Piracicaba, no final de semana em que apresentou, em Piracicaba, a peça Azul Resplendor, dirigida por Élcio Nogueira Seixas. Uma estrela conversa calmamente, lembra histórias de vida e de carreira, espalha simpatia. Foi o que ela ofereceu, nesses vários dedos de prosa em que se mostrou sem nenhuma afetação. Acompanhe os melhores momentos.
Cena 1 – O caminhão perdido
“A gente sempre faz de tudo para oferecer o melhor, para levar o espetáculo onde o público está, plagiando um pouco o Milton Nascimento. Adoro estar no interior de São Paulo porque as pessoas vêm nos ver porque gostam do teatro. Em outros lugares, como no Rio de Janeiro, elas querem se divertir apenas. Mas temos de respeitar isso também. Eu só fico chateada ao ver que no meio da tarde, não sabemos onde está o caminhão com figurinos e cenários (da peça que ela iria apresentar). A transportadora responsável, se é que se pode chamar assim, não dá mais explicação. Vamos ter de cancelar a sessão de sexta. Coisas da vida de artista!”

Cena 2 – O convite
“Eu não estava pensando neste espetáculo, tinha outro projeto. Mas todo mundo me dizia que eu tinha de comemorar os 80 anos de idade e 60 de carreira. Aí chega o Elcio, que eu chamo de um enlouquecido pelo teatro, com essa peça nas mãos, Azul Resplendor. A personagem principal é uma atriz famosa que há muitos anos está longe dos palcos. E o espetáculo inteiro fala do teatro, do nosso mundo, de gente que vive de atuar. Pensei: não posso recusar!”

Cena 3 – Alô Doçura
“Eu comecei, em 1953, fazendo uma peça de teatro, Uma Mulher e Três Palhaços, dirigida pelo Zé Renato. Fiz três filmes, um atrás do outro: Uma Pulga na Balança, o Craque e O Homem dos Papagaios. E logo comecei na TV Tupi. Sempre brinco que comecei com tudo de uma vez. Mas o que me marcou foi o seriado Alô, Doçura, que no começo eu fiz com Mário Sérgio, e depois com Johnny Herbert, meu primeiro marido. O texto, do Cassiano Gabus Mendes, que sabia tudo de televisão, era muito leve, mas com o tempo eu comecei com uma coisa que se chama ansiedade de atriz. A gente quer fazer coisas mais densas, sabe?”

Cena 4 – O mestre do suspense
“Eu fiz um teste com o diretor Alfred Hitchcock para um filme dele, Topázio. Aconteceu por causa da minha atuação na peça Black Out, que tinha sido um filme com a Audrey Hepburn, e fez muito sucesso no Brasil. Chegando lá, nos estúdios da Universal, eu nervosa, começaram a me colocar tudo postiço, seios, cabelos, e eu achei esquisito. Mas o maquiador me disse: ‘Meu bem, a Audrey Hepburn só teve direito de usar o próprio peito depois de dois anos!’. Então, tudo bem. Então, eu lá esperando e, de repente, ele aparece. No ato, todo mundo começou a aplaudir. Até eu. Ele começou a me perguntar da minha vida, até que isso me cansou. Não é fácil você falar de sua vida em outra língua. Então ele me disse: ‘Fale na sua língua!’. Não sei, esperei um tempo, a resposta que não veio. Depois soube que a personagem, uma cubana chamada Juanita de Córdoba, ficou com uma alemã, Karin Dor. E o filme foi um dos maiores fracassos de Hitchcock.”

Cena 5 – Laranja-lima ao vivo
“Na minha fase da Tupi, fiz muitas novelas de Ivani Ribeiro, que era uma mestra e uma escritora totalmente sem afetação. A primeira foi Meu Pé de Laranja Lima, baseada no livro de José Mauro de Vasconcellos, em que eu fazia a irmã mais velha do menino, o Zezé. Naquele tempo, não havia esse conceito de rede. Então, em Belo Horizonte, o capítulo passava um dia depois de São Paulo e Rio de Janeiro. O prefeito de BH, na época, nos contratou para encenar o último capítulo ao vivo, num teatro. Foi emocionante, a primeira vez que fiz novela no teatro.”

Cena 6 – Nossa Senhora de Lourdes
“A novela que me marcou mesmo foi Mulheres de Areia. Ruth e Raquel são lembradas até hoje. Foi uma ousadia a gente fazer o encontro das gêmeas com tão poucos recursos técnicos, mas a gente se arriscava. As gravações eram uma delícia, em Itanhaém. A casa de Ruth e Raquel, na praia, virou atração turística. Lembro que uma vez, eu estava numa gravação com o Guarnieri (Gianfrancesco), que fazia o Tonho da Lua, e veio tanta gente falar comigo que ele disparou: ‘Tenho a impressão de que estou com a Nossa Senhora de Lourdes!”

Cena 7 – No sofá com Mário Fofoca
“Quando vim para a Globo, nos anos 80, após a falência da Tupi, trabalhava muito com o Cassiano. O talento do Cassiano era de tirar o chapéu. Em Elas por Elas, eu contracenava com o Luiz Gustavo, que fazia o Mário Fofoca, um personagem inesquecível. A minha personagem, Dona Márcia, dava em cima dele o tempo todo, até que um dia ela dá um agarrão nele. Caímos os dois do sofá. E foi ao ar assim mesmo.” (por Ronaldo Victoria)

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